Cão de Montanha dos Pirinéus

Chien de Montagne des Pyrénées, Patou, Pyrenean Mountain Dog, Great Pyrenees, Pyr


o cao de montanha dos pirineusOrigem: França

Data de origem: Idade Média

Classificação: Molossóide - Tipo Montanha

Altura: 70 a 80cm até o garrote (machos), 65 a 72cm (fémeas)

Peso: Cerca de 60 a 70kg (machos), 45 a 55kg (fêmeas)

Expectativa média de vida: 10 a 12 anos

 

 

 


Origem e História

O Cão de Montanha dos Pirenéus é uma raça muito antiga que descende dos molossóides oriundos da Ásia Central, trazidos para a Península Ibérica há mais de 5 mil anos. O primeiro registo da raça data do século XIV, quando foi descrita como guardiã de castelos por Gaston Phoebus. Esta raça é por vezes confundida com o Mastim dos Pirenéus, mas tanto a história dessas duas raças como a sua conformação física mostram que são cães distintos.

O Montanha dos Pirenéus era utilizado nos Pirinéus como cão de guarda de rebanhos, função que costumava exercer com uma coleira de espetos de ferro pontiagudos para se proteger nas lutas com ursos, linces, lobos e outras feras. Um cão de pastores, de gente simples das montanhas que separam a França da Espanha.

Mas a sua aptidão para a guarda de castelos tirou os Patous do anonimato. Tornou-se uma das raças preferidas da realeza francesa, especialmente apreciado por Louis XIV e pelo seu filho, o Delfim, que em 1675 atribuiu ao Montanha dos Pirinéus o título de Cão Real da França. O Montanha passou então a ser um símbolo de nobreza como guardião de castelos e mansões, admirado tanto pela sua beleza como pelo seu temperamento.

Quando o estilo de vida já não exigia mais um guarda de castelos, no século XIX, os Montanhas começaram a perder popularidade. Curiosamente, enquanto entravam em declínio na Europa, em 1824 o General Lafayette levou-os para a América, onde contribuiram para a formação de novas raças, como o Terra Nova. Em 1843 os Montanhas foram introduzidos na Austrália como guardas de rebanhos.

Na Europa, o Patou ficou novamente reduzido à população que vivia nas montanhas entre a França e a Espanha, sobretudo na região basca, onde era utilizado não só como protector de rebanhos mas também como cão de busca e salvamento em situações de avalanche, cão de trenó e cão de guarda de propriedades.

A primeira participação oficial do Montanhas em exposições caninas aconteceu em 1863, quando vários exemplares foram exibidos e 2 foram premiados. Em 1907 foi fundado o primeiro clube dedicado à raça, mas como não havia uniformidade suficiente, os esforços para organizar a criação não foram bem sucedidos. No fim do século XIX e início do XX, devido à diminuição dos predadores nos Pirinéus, os pastores de ambas as vertentes das montanhas dedicaram menos atenção à sua função de protetor dos rebanhos, o que reduziu significativamente o número de nascimentos, um declínio que se aprofundou com o advento da 1ª Grande Guerra. Na década de 20, os criadores finalmente conseguiram juntar-se e criaram a Reunião de Amigos dos Cães Pirinaicos (RACP) e em 1927 redigiu-se um novo padrão para a raça.

Os Montanhas foram também utilizados na 2ª Guerra Mundial como cães mensageiros por unidades francesas baseadas nos Pirinéus. Participaram também de acasalamentos para recuperar a raça São Bernardo, que estava em risco de extinção. Hoje, os Patous encontram-se disseminados um pouco por todo o mundo – Europa, Américas, Ásia, Austrália – como cães de guarda de propriedades, rebanhos e também cães de companhia.

 


Temperamento


Como cão de guarda e proteção, o Montanha deve ser forte e destemido para intimidar os intrusos e predadores, mas a sua faceta gentil foi também apurada ao longo dos tempos. Disto resultou um cão afectuoso, equilibrado, fiel e trabalhador.

Com um temperamento independente, não são cães para donos inexperientes. Necessitam de alguém que saiba impor a sua liderança de um modo firme porém positivo, através de encorajamentos e recompensas, sem jamais recorrer a castigos físicos e reprimendas violentas. É importante socializar e treinar o Patou desde cedo para garantir que ao atingir a idade adulta seja dócil, obediente e equilibrado.

Corajoso e dedicado à família, o Cão da Montanha dos Pireneús protege as pessoas, os animais, os pertences e o território da casa mesmo que às custas da própria vida. Não ataca os intrusos à partida, como fazem outras raças de cães de guarda, mas também não é do tipo que faz amigos à primeira vista. Prefere observar os estranhos, ver como os donos se comportam em relação a eles, e só então aproxima-se para saudá-los e fazer-lhes festas. Quanto aos outros animais da casa, tem a tendência a considerá-los como o seu “rebanho”, que deve vigiar e guardar constantemente. A sua postura inicial não é de ataque, mas de intimidação, de dissuasão, procurando sempre colocar-se entre o intruso (uma possível ameaça) e o seu “rebanho”, recorrendo ao seu porte gigante e ladrar grave e profundo, que impõe respeito e desencoraja quaisquer avanços. Só quando a sua “família” é atacada ou a casa invadida é que contra-ataca com violência – é um procedimento contido e equilibrado que está na sua natureza, não precisa ser treinado para fazê-lo.

No dia-a-dia são alegres e brincalhões, seja com os outros animais da casa ou especialmente com crianças. Gosta de participar da vida em família e de ter acesso ao interior da casa, por isso não deve ser confinado no “fundo do quintal” ou privado de contacto humano por longos períodos.

O Cão da Montanha dos Pirenéus costuma ladrar, especialmente à noite, o que faz dele um bom cão de alerta - mas pode causar transtornos aos vizinhos.

Há casos de Montanhas que vivem em apartamentos, devido ao seu temperamento calmo e por não serem cães demasiadamente activos. Mas como precisam de espaço e de algum exercício (20 a 30 minutos diários), uma casa com um jardim de tamanho médio é preferível e muito mais adequada.

 


Descrição


O Montanha dos Pirenéus é um cão gigante e majestoso, de estrutura forte e possante. As fêmeas medem entre 65 e 75 cm, enquanto os machos, maiores, situam-se entre os 70 e os 80. Apesar do tamanho, o Cão da Montanha dos Pirinéus tem um porte elegante e um andamento ágil, leve e solto.

A cabeça não é demasiado grande em relação ao corpo, o focinho é largo e de comprimento médio. Os olhos são pequenos e castanhos e o olhar tem uma expressão típica: afável, sonhadora e paciente. As orelhas são pequenas, triangulares e pendem junto à cabeça. O stop é ligeiro e o nariz é preto.

O pescoço é largo e ornamentado com uma juba que lhe dá um ar leonino. Os membros são bastante musculados, com pés fortes e compactos adaptados à neve. Os membros anteriores possuem uma franja na face posterior. O duplo pezunho (ergot) está sempre presente. A cauda tem uma pelagem abundante e é mantida baixa em repouso e enrolada na ponta quando em movimento, pendendo sobre o dorso (o famoso “gancho” dos Montanhas).

A pelagem é densa, lisa e bastante longa, mais comprida na cauda e no pescoço, onde pode ser ligeiramente ondulada. O Cão da Montanha dos Pirenéus possui um sub-pêlo denso.

A cor básica da pelagem é o branco, podendo ter manchas amarelo-claro, laranja ou cinzentas. As manchas só são permitidas na cabeça, orelhas, base da cauda e por vezes no corpo. As mais apreciadas são as cinzentas (“manchas de texugo”).

 

Saúde e Higiene

O Montanha dos Pirenéus é um cão bastante saudável, robusto e de constituição muito rústica. Os problemas que podem eventualmente surgir são comuns às raças de grande porte: displasia coxo-femural (má formação do encaixe da cabeça do fêmur com a bacia), torsão gástrica e luxação da patela.

Embora tenha sido criado e desenvolvido em climas bastante frios, adapta-se bem à vida em regiões mais quentes, desde que tenha um espaço fresco para abrigar-se durante o dia e não faça exercícios desgastantes em horas de calor muito intenso.
A pelagem deve ser escovada a cada 2 ou 3 semanas. O Montanha muda de pêlo uma vez por ano, altura em que a escovagem deve ser mais frequente, para eliminar o pelo morto. O pêlo exterior não tem tendência a formar riças (exceto junto às orelhas), por isso a tarefa não é muito trabalhosa.

A expectativa média de vida do Montanha dos Pirinéus é de 10 a 12 anos.